Neste artigo procuro responder a uma pergunta simples: que problema de política energética resolve o Estado ao comprar 13,7% da REN por cerca de 380 milhões de euros?
Não contesto que a REN seja uma empresa estratégica, nem excluo que a presença do Estado no seu capital possa justificar-se por razões de soberania, geopolítica ou até de investimento financeiro.
O que questiono é a ideia de que esta aquisição, por si só, permita baixar o preço da electricidade, aumentar a segurança física do sistema ou substituir uma verdadeira política energética.
Para mim, o essencial é perceber qual é o problema que se pretende resolver, comparar as alternativas disponíveis e demonstrar, com números, que esta é a melhor utilização dos recursos públicos.
Política energética exige Engenharia, Economia, regulação competente e planeamento integrado do sistema — não apenas uma mudança na identidade de um accionista.

João de Jesus Ferreira
MSc. Eng.º (IST)