Apesar da liderança histórica na energia eólica, a Dinamarca está a reavaliar a sua estratégia energética face aos custos sistémicos crescentes das renováveis intermitentes: armazenamento dispendioso, saturação de locais para eólicas terrestres e o encarecimento das infraestruturas no mar. O modelo dinamarquês foca-se agora no desenvolvimento de Reatores Modulares Pequenos (SMR) baseados em tório, uma tecnologia que promete eletricidade a $20/MWh e a reutilização de resíduos nucleares. Com uma pegada física reduzida e alta densidade energética, o nuclear de nova geração surge como a alternativa para reduzir a dependência de redes extensas e armazenamento de longo prazo, como o hidrogénio eletrolítico. Enquanto Portugal oscila entre ilusões de liderança em tecnologias de alto custo, como a eólica offshore, a Dinamarca avança para uma solução pragmática e comercial prevista já para 2030. O exemplo dinamarquês sugere que o futuro da competitividade industrial não passa pela adição de intermitência, mas pela aposta na estabilidade e eficiência da fissão modular.